| Enriquecimento da China não é ameaça mundial, diz Bill Gates |
|
| 2008-04-05 18:17 Reuters/Brasil Online |
MIAMI (Reuters) - A riqueza crescente da China é boa para o mundo e chegará um tempo em que a influência dos Estados Unidos ficará no mesmo nível de sua participação na população mundial, disse o co-fundador da Microsoft, Bill Gates, nesta sexta-feira.
Ao lhe perguntarem em um encontro do Banco de Desenvolvimento Interamericano, em Miami, se enxergava a crescente influência da China na América Latina como uma ameaça, Gates, um dos homens mais ricos do mundo, disse que não.
"O fato de a China estar enriquecendo é uma coisa muito boa. O fato de mais pessoas estarem sendo educadas é imenso. Se você se importa com a condição humana, é claro que uma China mais rica é melhor", disse Gates em um seminário sobre filantropia corporativa.
"Se pensarmos neste tema de poder relativo, ficamos somente no 'Meu país é o mais poderoso', então teremos de ser nostálgicos e pensar em 1947", afirmou Gates, dizendo que o poder econômico e militar dos Estados Unidos atingiu seu auge nesse ano.
A Microsoft não registra uma enorme quantidade de vendas na China, mas a demanda em mercados emergentes, como o chinês, representa uma parte crescente dos 51 bilhões de dólares do rendimento anual da companhia.
A China, com sua economia em expansão faminta por commodities, tem investido maciçamente na América Latina nos últimos anos para poder ter uma fatia dos setores agrícola e de mineração da região.
A ascendente presença chinesa em uma área tradicionalmente vista pelos Estados Unidos como seu quintal despertou algumas preocupações entre autoridades militares norte-americanas.
A aceleração dos gastos militares da China em particular, chamou a atenção do Departamento de Defesa (Pentágono), e o papel do país asiático como credor dos Estados Unidos e sua grande participação nas importações norte-americanas causaram mal-estar entre os conservadores do país.
Gates, que em junho deixará suas responsabilidades executivas na Microsoft para se dedicar em tempo integral às atividades beneficentes da Fundação Gates, disse que avanços econômicos e sociais no restante do mundo inevitavelmente desgastariam a predominância dos Estados Unidos.
"O fato é que os Estados Unidos têm cinco por cento da população mundial. Em algum momento, teremos 5 por cento de influência mundial, e não há problemas nisso", disse Gates.
(Reportagem de Michael Christie)
|